Em 2025, o Brasil registrou quase 1.500 eventos climáticos extremos. O produtor que perdeu lavoura para a natureza, na maioria dos casos, não tinha seguro. E 2026 começa com o mesmo risco.
O Brasil registrou 1.493 eventos hidrológicos em 2025 — secas intensas, enchentes, enxurradas e deslizamentos. Sete ondas de calor e sete ondas de frio assolaram o país ao longo do ano, afetando mais de 336 mil pessoas.
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Para quem vive e produz no campo, esses não são apenas números de relatório climático. São safras perdidas, dívidas que não fecham e famílias que começam o novo ciclo sem reserva.
A Organização Meteorológica Mundial registrou recordes de 43,8°C em Quaraí (RS) e 42,1°C em Porto Murtinho (MS), além de seca acentuada na Amazônia e excesso de chuvas no Sul — todos com impacto direto na produção agrícola. O problema não é mais imprevisibilidade. É que o extremo virou rotina, e o sistema de proteção ao produtor não acompanhou.
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O seguro que não chegou
Aqui está o nó central do problema: a área segurada com apoio do PSR recuou de cerca de 13,7 milhões de hectares em 2021 para aproximadamente 3,2 milhões de hectares em 2025 — uma queda de mais de 75% em quatro anos.
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Em 2025, o PSR recebeu R$ 565,3 milhões em recursos — o menor nível desde 2019. Em 2024, apenas 3,3% da área plantada no país estava segurada. Nos Estados Unidos, esse índice chega a 40%.
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O resultado prático: quando a seca chegou ao Centro-Oeste ou a chuva destruiu lavouras no Sul, a conta caiu inteira no colo do produtor. Sem seguro, sem reserva, com crédito cada vez mais caro.
O governo federal ainda bloqueou R$ 461,7 milhões do orçamento do PSR para 2026 — o que significa que o próximo ciclo começa com o mesmo buraco de cobertura.
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O que está mudando — e o que ainda falta
A Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que reformula o PSR e torna a execução orçamentária do programa obrigatória. Segundo o relator do projeto, “a penetração do seguro no meio rural brasileiro ainda é muito reduzida”, em razão da complexidade regulatória, insuficiência de recursos e dificuldades operacionais enfrentadas por produtores e seguradoras.
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O setor estima que a demanda real por subvenção ao seguro rural gira em torno de R$ 4 bilhões por ano. O orçamento previsto para 2026 é de R$ 1,01 bilhão. O déficit não é marginal — é estrutural.
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Enquanto o debate legislativo avança devagar, os eventos climáticos extremos deixaram de ser exceção e passaram a compor o pano de fundo do planejamento anual de qualquer propriedade rural. Quem ainda não incorporou essa realidade no próprio planejamento está jogando sem rede.
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O que o produtor pode fazer agora
Enquanto o PSR não se regulariza, algumas alternativas práticas existem: o Proagro cobre parte das perdas para produtores que não acessam o PSR; o Zarc (Zoneamento Agrícola de Risco Climático) indica as janelas de plantio com menor exposição a riscos por cultura e município; e seguros privados sem subvenção, embora mais caros, estão disponíveis para quem consegue absorver o custo.
A lição de 2025 é simples e dura: clima extremo sem seguro é dívida certa. E o Brasil ainda não resolveu essa equação.
Fontes: Cemaden / Agência Brasil; Organização Meteorológica Mundial (OMM); FenSeg; Câmara dos Deputados — PL 2.951/2024.