Financiamentos rurais caíram R$ 21,4 bilhões em 12 meses. Inadimplência bate 8,3%. O produtor que plantou na esperança agora colhe dívida — e os bancos estão se afastando na hora errada.
A história
Em doze meses, o volume de crédito rural para pessoas físicas foi de R$ 111,9 bilhões para R$ 90,5 bilhões. Não é uma correção de mercado. É o sistema financeiro dizendo ao produtor: “você está sozinho.”
O Brasil encerrou 2025 com um recorde histórico de US$ 169 bilhões em exportações do agronegócio — quase metade de tudo que o país vendeu ao mundo. Na mesma semana em que esse número foi comemorado em Brasília, o Serasa apontava que 8,3% da população rural estava inadimplente, a pior marca em uma década.
Essa não é uma contradição acidental. É a fotografia de um setor que carrega o equilíbrio macroeconômico do país nas costas enquanto o Estado retira os andaimes embaixo de seus pés.
O corte mais profundo está exatamente no custeio de safra — o crédito que financia sementes, defensivos e fertilizantes antes do plantio. É o combustível da produção. Sem ele, o produtor entra na safra 2026/27 com capital próprio insuficiente, endividado pelo ciclo anterior, e com bancos que exigem garantias maiores do que muitos têm a oferecer.